quinta-feira, novembro 25, 2004

A perfeição lógica do conhecimento e a perfeição estética do conhecimento.


Immanuel Kant

Kant é, indubitavelmente, um dos grandes gênios da humanidade de todos os tempos. Sua vasta contribuição à história das idéias, do pensamento, não se circunscreve, tão-somente, ao campo filosófico, mas também a diversas outras áreas e matizes do conhecimento como a Lógica, por exemplo.
A seguir transcrevo mais um trecho do seu "Manual dos Cursos de Lógico Geral" que considero de uma profundidade lógica insuperável. Vejamos, se não:
"Se refletirmos sobre nossos conhecimentos , considerando as duas faculdades fundamentais, essencialmente diversas, das quais eles se originam, a sensibilidade e o intelecto (Sinnlichkeit, Verstandes), deparamos com a diferença entre intuições e conceitos. De fato, considerados desse ponto de vista, todos os nossos conhecimentos são ou intuições ou conceitos: as primeiras têm sua fonte na sensibilidade - faculdade das intuições; os segundos, no intelecto - faculdade dos conceitos. Esta é a distinção lógica entre intelecto e sensibilidade, segundo a qual a sensibilidade não fornece nada além de intuições e o intelecto nada além de conceitos. Mas ambas essas faculdades fundamentais podem, por outro lado, ser ainda consideradas e definidas de outra maneira - a sensibilidade como faculdade da receptividade (Receptivität) e o intelecto como faculdade da espontaneidade (Spontaneität). Só que essa maneira de definir não é lógica, mas metafísica. É também costume chamar a sensibilidade de faculdade inferior (niedere), e o intelecto, ao contrário, de superior (obere), porque a sensibilidade só dá ao pensamento o mero material (Stoff), ao passo que o intelecto dispõe (disponirt) sobre esse material e o submete a regras ou conceitos.
Sobre essa distinção entre conhecimentos intuitivos e conhecimentos discursivos ou entre intuições e conceitos, fundamenta-se a diversidade entre perfeição estética (ästhetischen Vollkommenheit) e perfeição lógica do conhecimento (logischen Vollkommenheit).
Um conhecimento pode ser perfeito segundo as leis da sensibilidade ou segundo as leis do intelecto. No primero caso, é esteticamente perfeito; no segundo, logicamente perfeito.
(...)
Em geral, entre a perfeição lógica e a perfeição estética do nosso conhecimento, subsiste sempre efetivamente um conflito que não pode ser de todo eliminado. O intelecto quer ser instruído (belehrt sein), a sensibilidade, animada (belebt sein). O primeiro deseja penetrar (Einsicht), à segunda apetece a preensão (Fasslichkeit). Se os conhecimentos têm de instruir, devem ser na mesma medida rigorosamente fundamentados; mas se têm, ao mesmo tempo, de entreter, então devem ser belos também. Se uma exposição é bela, mas superficial, só pode agradar à sensibilidade, não ao intelecto; se é, ao oposto, rigorosamente fundamentada, mas árida, só pode agradar ao intelecto, não à sensibilidade."

As escolas gregas: Akademie, Lyceum, Porticus e Horti.




"Notemos ainda aqui que as escolas gregas mais célebres tinham nomes particulares: assim, a escola de Platão chamava-se Academia (Akademie); a de Aristóteles, Liceu (Lyceum); a escola dos estóicos, Porticus, uma passagem coberta da qual se tirou este nome; a escola de Epicuro, Horti, porque Epicuro ensinava em jardins (gärten)" (Manual dos Cursos de Lógica Geral, de Immanuel Kant).

segunda-feira, novembro 08, 2004

Kant em "Manual dos Cursos de Lógica Geral".


Kant (1724-1804)

"O conhecimento do universal in abstrato é conhecimento especulativo; o conhecimento do universal in concreto é conhecimento comum".

quinta-feira, novembro 04, 2004

Pensar o "Tempo" (1ª parte).


Pensar o "Tempo".
Estou tentando arrumar um "tempo" aqui nas minhas elucubrações diárias para escrever sobre o "Tempo". Quando o fizer, começarei pelo primeiro (tempo) filósofo que falou sobre esta categoria existencial, o Tempo", que foi Santo Agostinho. Só que - sabemos - bem antes dele, a Bíblia já nos dizia: "Há um tempo para todo o propósito debaixo dos céus". É verdade.
Agora, por hora, eu queria especular do seguinte modo:
O tempo é a categoria existencial abstrata que é a mais concreta em nossas vidas.
Você já parou para pensar o quanto o tempo é real nas nossas vidas, assim como o é, na mesma, medida a categoria, também abstrata, "espaço"?. Você já parou para pensar que o que você fez ontem jamais voltará a ser o hoje, o agora, nem, muito menos, o amanhã? Já parou para pensar na grandeza existencial que ocorre na sucessão dos dias nas nossas vidas?
Hoje, estou aqui a escrever isso. Amanhã, quando ler, vou lembrar disso aqui, mas nunca mais estarei aqui, como estou agora. Na minha vida, nada restará amanhã desse agora, só laivos na minha mente.
Nisso tudo, destarte, eu perguntaria: o que é a verdade, então? O ontem, também, é a verdade? O amanhã é, hoje, também, a verdade ou o amanhã só será verdade amanhã, quando de fato virar o hoje? Ou a verdade é somente uma categoria presencial, isto é, é tão-somente aquilo que estou a fazer neste momento?
O tempo nos deixa muitas interrogações.
Uma coisa é certa: ele, o tempo, é o que de mais abstrato e, ao mesmo tempo, mais concreto há na existência humana.
Concorda?
Conversaremos mais sobre isso depois.