Segundo o epistemólogo francês Michel Paty, não podemos, em hipótese alguma, conceber a compreensão e, conseqüente, comunicação do conhecimento qualificado como científico sem, necessariamente, como uma conditio sine qua non, fazer referência ao que denominamos de senso comum. Isso porque, segundo ele, "todo conhecimento novo que seja importante precisa ultrapassar o senso comum e, portanto, romper com ele".
Diz o professor francês que: "devemos, na verdade, reconhecer que, quando conhecimentos novos são adquiridos e bem compreendidos, assimilados, completamente inteligíveis, e até ensinados; quando neles nos baseamos para avançar na direção de conhecimentos ainda mais novos, estes que foram adquiridos participam da constituição de um senso comum, modificado, diferente do precedente, mas que tem tanto direito quanto este à qualificação de 'senso comum', exatamente no mesmo sentido que o antigo. Desta maneira, o senso comum se enriquece pela assimilação dos conhecimentos científicos".
E, assim, magnificamente, define o senso comum como "uma disposição geral de todos os seres humanos para se adaptar às circunstâncias da existência e da vida ordinária".
Assim, em verdade e em síntese, podemos assentir que o senso comum como caractere elementar da condição humana - caratectere esse, claro, construído na dialética social - é resultado do processo de intelegibilidade intuitiva e sensorial do ser humano no palco das relações sócioculturais.
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