segunda-feira, outubro 18, 2004

O processo de cognição científica que é possível.

Li um determinado texto de um professor de filosofia, um português que faz doutorado lá no King's College London chamado Desidério Murcho, onde ele discorria sobre a filosofia que é possível de se fazer, de se produzir, hoje. A crítica que ele faz no texto é, sobretudo, contra o chamado relativismo cognitivo metodológico que, no caso dos portugueses, segundo relato dele, tem assoberbado os departamentos de filosofia das universidades. Assim, um tal relativismo cognitivo, como método, ou ao menos, como um prisma metodológico de investigação, é utilizado como um dos muitos instrumentos pseudo-acadêmicos de fuga à verdadeira discussão filosófica. Desse modo, há, em algumas academias lusitanas, uma idéia de que " é ingênuo pensar que vale a pena tentar descobrir o que é verdade ou o que é mais plausível pela via da argumentação e dos pensamento sistemáticos".
Assim, a conseqüência disso, é a produção de uma filosofia com um caráter mais literário, poético, do que uma filosofia que, entre outros, se preocupa com o problema da verdade e da sua justificação.
Do nosso ponto de vista, acredito, também, que o processo de produção do conhecimento científico jamais deve adotar, como suporte teórico-metodológico, um tal vazio relativismo cognitivo, pois, como bem disse o autor do texto "quando se discute o relativismo cognitivo seriamente [não numa perspectiva metodológica], adoptamos uma postura racional, crítica e aberta à discussão, atenta aos argumentos, e que procura evitar falácias e ilusões; mas quando se adopta o relativismo cognitivo metodologicamente, então tudo vale porque é relativo, e a discussão não procede porque seja o que for que alguém possa afirmar, a outra pode recusar sem razões nem argumentos, recorrendo a falácias ou a confusões - porque tudo é aceitável, tudo são perspectivas metodológicas igualmente 'válidas'".
Para uma leitura completa do texto ver: http://www.criticanarede.com/ed79.html

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